Pintura

O que chama logo a atenção do visitante são as pinturas de forro compostas de 16 painéis, 15 dos quais em forma de caixotões, localizados na nave, retratam as cenas da Paixão de Cristo. O outro painel, localizado na capela-mor, retrata Nossa Senhora das Dores e um devoto trajado à  moda do século XVIII. Esta pintura é um ex-voto, ou seja, alguém que alcançou alguma graça e a mandou pintar. Estas pinturas apresentam grande interesse artístico e histórico, pois são pinturas de inspiração gótica em plena era do barroco; alguns soldados estão vestidos à  moda medieval! Presume-se aí, que antigas estampas pré-renascentistas entraram em Minas no século XVIII. Estas pinturas são e ainda serão alvo de várias pesquisas e debates entre historiadores e especialistas.

O Forro da Igreja de Nossa Senhora das Dores
Há representada na nave uma interessante via-sacra, que apesar dos maus tratos do tempo e das chuvas tem resistido até nossos dias. De feição simples e de caráter popular as pinturas deixam muito a desejar em técnica e estética mas são reveladores da devoção da Paixão no século XVIII. Os 15 painéis dispostos em caixotões mostram um arcaísmo no que concerne à  arte mineira: pintados na década de 1760 ou 1770, utilizam um artifício criativo que entrou em desuso a partir da pintura da capela-mor da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré a poucos metros dali. O artista português Antônio Rodrigues Bello já havia inaugurado em Minas o novo tipo de pintura que viria a substituir os antigos forros de caixotões: a pintura em perspectivista. O artista que decorou o forro das Dores de Cachoeira desconsiderou esta novidade certamente por dois motivos: Primeiro, um plano iconográfico de uma via-sacra pintada exigia isto, uma vez que se œnarra  uma história; Segundo, as fontes iconográficas utilizadas pelo artista provavelmente exigiam uma execução em forma de quadros. São estes os painéis e sua descrição geral: