Casarão tombado pelo patrimônio pede socorro em distrito de Ouro Preto

Último imóvel colonial de Cachoeira do Campo está escorado e tomado por mato. Prefeitura negocia com Ministério da Cultura repasse de verba para recuperar imóvel

 Por –  Gustavo Werneck

Ouro Preto – Um pedaço valioso da história de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto, na Região Central, está escorado por dentro e por fora, tomado pelo mato denso e à espera de medidas urgentes para garantir a preservação. Vizinho da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, construída no início do século 18 e palco de episódios épicos, o sobrado é o retrato do abandono e deixa apreensivos moradores, que se mobilizaram pela preservação, e visitantes desse que é o maior e um dos mais antigos distritos do município. Também preocupado com a situação, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira, afirma que recuperar o chamado Casarão da Praça se tornou prioridade. “Temos um projeto, planilhas atualizadas e estamos em entendimentos com o Ministério da Cultura para conseguir os recursos de R$ 1,3 milhão e executar a obra”, diz o secretário.

O objetivo da atual administração é transformar o solar erguido no fim do século 18 e início do 19 de propriedade do município no Centro Administrativo de Cachoeira do Campo, em cuja região vivem 10 mil habitantes. O prédio, único remanescente do distrito que já teve cerca de 200 casarões coloniais, deverá abrigar também agência bancária – “no distrito, só há caixas eletrônicos”, observa o secretário – correio e outros serviços, agregando, desta forma, conservação do patrimônio e melhor atendimento à população. No quintal com 2,5 mil metros quadrados e muitas jabuticabeiras, o plano é promover a revitalização da área, criando pontos de convívio sob as árvores.Na manhã de quinta-feira, a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas pela Prefeitura de Ouro Preto, a arquiteta Débora Queiroz, acompanhou o Estado de Minas numa visita ao imóvel com frente para a Praça Felipe dos Santos. Cercado de tapumes, a edificação foi inventariada pela prefeitura em 2007 e desapropriada três anos depois para ser centro administrativo.

USO PÚBLICO
Débora conta que o tempo passou e a ideia foi arquivada na gestão anterior até que, em 2015, o Ministério Público Minas Gerais (MPMG), por meio dos promotores de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, ex-coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, e o promotor da comarca, Domingos Ventura de Miranda Júnior, interveio e pediu o escoramento, feito com peças de madeira e metal. “Por isso, não há perigo de desabamento”, assegura o secretário de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, esclarecendo que, “ao assumir a pasta e por conhecer a importância da edificação, coloquei toda a equipe para fazer os projetos, de modo a termos condições de buscar as parcerias institucionais para o restauro”.Ao entrar por uma porta feita no tapume, e conhecer parte do imóvel que o matagal e as condições precárias impuseram limites, os repórteres do EM se lembraram da década passada, quando funcionava no primeiro andar um restaurante com comida caseira e muito saborosa. Muitos antes disso, segundo o secretário Zaqueu, o prédio foi residencial, sendo um dos proprietários a família Pedrosa.Caminhando numa parte do quintal, Débora aponta um grande número de jabuticabeiras, fruta tradicional em Cachoeira do Campo, que fica a 22 quilômetros da sede municipal. “O restauro é realmente uma prioridade e terá grande importância para a região”, afirma a arquiteta. Desbotado pelo sol e pela chuva, o casarão tem um tom encardido, que não esconde a imponência de outras épocas e mostra um tipo arquitetura muito característico: na parte de baixo, portas para o funcionamento das antigas vendas e, na parte superior, moradia.