O Documento de Aparecida ressalta a necessidade de uma Igreja em estado de permanente missão. O documento convida-nos a passar da pastoral de conservação a uma pastoral missionária. A pastoral do dízimo deve ser edificada dentro deste espírito missionário, em sintonia com o Eixo Missão do nosso Projeto Arquidiocesano de Evangelização.

Um dos grandes desafios que enfrentamos hoje, segundo o documento 100 da CNBB, refere-se à  inserção eclesial: œmuitos católicos têm fraca identidade cristã e pouca pertença eclesial . A equipe da pastoral do dízimo tem a função de conscientizar cada participante da comunidade sobre sua responsabilidade em contribuir em todos os sentidos para com essa mesma comunidade e toda a Igreja. A realidade atual exige que a equipe visite as casas para divulgar o dízimo e para orientar as famílias a participarem da comunidade. Através deste trabalho missionário a equipe atrai as famílias para a comunidade. Os agentes da pastoral do dízimo não podem ser simples œentregadores de envelopes  nas casas. Devem estabelecer um relacionamento fraterno e libertador com as pessoas. A imagem do Cristo, Bom Pastor, que ia ao encontro de todos, deve iluminar toda a ação evangelizadora dos agentes da pastoral do dízimo.

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A pastoral do dízimo, enquanto prioridade missionária, deve contribuir para que o dizimista estabeleça um relacionamento de gratidão a Deus, de partilha com os irmãos e de co-responsabilidade na comunidade. O dízimo deve ser entendido como um meio de participar da grande missão da Igreja, a evangelização.

Afirmar a missionariedade da pastoral do dízimo é evidenciar que o dízimo não é uma questão de dinheiro. Ao contrário, é uma questão de fé e de compromisso comunitário. A pastoral deve realizar sua missão, não como meio de angariar dinheiro, mas como evangelização. Dízimo não é taxa, nem imposto, nem esmola. É devolução, é gratidão, é ato de amor a Deus, à  Igreja e aos irmãos e irmãs. Pelo dízimo, os fiéis ajudam a Igreja a cumprir a sua missão de evangelizar. Por isso, quem contribui com o dízimo é também um evangelizador. Mesmo que não possa sair de sua casa e de sua comunidade para ir pelo bairro e pelo mundo a anunciar o evangelho, o dizimista, ao devolver o dízimo, de maneira livre, consciente e de coração agradecido, torna-se também um evangelizador. Quando o dizimista devolve o dízimo na comunidade para que ela possa desenvolver um trabalho pastoral eficiente, ele está contribuindo com a missão. A participação do dizimista possibilita capacitar e enviar missionários. O dizimista torna-se missionário através do testemunho de partilha. São Paulo diz: œQuem colabora com o pregador tem merecimentos de pregador .

Investir na pastoral do dízimo como prioridade missionária é levar a comunidade a ser sinal de salvação. Entender a pastoral do dízimo a partir desta perspectiva missionária é mostrar que a participação não é meramente financeira, mas implica também na doação pessoal de talentos e do próprio tempo à  comunidade. Todos nós que somos batizados, somos missionários, diz o Concílio Vaticano II, e devemos semear a semente da Palavra. Isto implica o dever de cada um de nós em evangelizar conforme os dons que recebemos. Com o dízimo assim entendido e vivenciado, podemos construir uma Igreja mais fraterna, missionária e solidária com a vida dos pobres e excluídos.

Para refletir:

– O Documento de Aparecida diz que a Igreja precisa transformar a pastoral da manutenção em uma pastoral da missão. Que contribuição a pastoral do dízimo oferece para esta transformação missionária?

Pe. José Afonso de Lemos

Coordenador Arquidiocesano da Pastoral do Dízimo

* Serão publicados semanalmente, durante todo o mês de novembro, artigos escritos pelo padre José Afonso, sobre a Pastoral do Dízimo. Leia também sobre o Mês do Dízimo no Jornal Pastoral .

14 novembro, 2014