Histórico

PRIMà“RDIOS DA HISTà“RIA DE CACHOEIRA DO CAMPO, A SUA PARà“QUIA E SUA IGREJA MATRIZ

Durante o século XVII várias expedições chamadas Entradas e Bandeiras cruzaram o interior do Brasil à  procura de riquezas e escravos. A mais famosa destas bandeiras a percorrer as cercanias do local onde hoje está situada Cachoeira do Campo foi a de Fernão Dias Paes, o caçador de esmeraldas, que pelos anos de 1674 e 1675 explorou o cerrado mineiro até à s proximidades da região chamada então mato dentro ou o caeté, como diziam os indígenas. Cachoeira era o limite natural da região dos campos (ou congonhas, em tupi), mais ao sudoeste, e do mato dentro, mais ao leste, sendo o último ponto de exploração da bandeira de Fernão Dias antes de seguir rumo ao lendário Sabarabuçu. Provavelmente o local já era conhecido por outros exploradores antes de Fernão, mas foi definitivamente a partir de sua trilha que a região começou a ser mais frequentemente visitada à  procura de ouro.
Segundo a tradição, cerca de cinco anos mais tarde, por volta de 1680, um aventureiro chamado Manuel de Mello teria se estabelecido em Cachoeira, tornando-se o seu primeiro morador. Provas concretas sobre sua existência são escassas. Em 1709, um dos livros da Irmandade do Santíssimo Sacramento afirma que o primeiro nome do lugar foi Cachoeira do Manuel de Mello. Verdade ou ficção, afirma-se que ruínas existentes no antigo Bairro Nossa Senhora das Dores, hoje também conhecido como Bairro Santa Luzia, teriam sido da casa onde moraram Manuel de Mello e sua família. Recentemente foi encontrada na Matriz de Nossa Senhora de Nazaré uma pequena bússola datada pelos pesquisadores como sendo um objeto dos meados do século XVII. Este instrumento que era típico de bandeirantes, talvez seja a prova mais convincente que realmente famílias e aventureiros se estabeleceram em Cachoeira no último quartel dos anos de 1600.
Na sua Monografia Histórica, Pe.Afonso de Lemos afirma que o povoado teve início nos anos de 1700 e 1701, quando uma grande fome se abateu sobre os moradores da região das minas, que tiveram que se debandar à  procura de alimentos. Pela fertilidade do solo e amenidade do clima, Cachoeira tornou-se então um dos centros de produção agrícola das minas recém descobertas. Pelo grande interesse despertado, logo se estabeleceram ao lado dos pequenos agricultores grandes fazendeiros, senhores de terra que, pelo acúmulo de riquezas através do comércio de alimentos, se tornaram membros de grande poder e influência política. Daí começaram a se fazer as primeiras construções, dentre elas a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, símbolo da riqueza e do fausto daquela época. Geralmente eram feitas de pau-a-pique, adobe ou pedra. No começo eram casas de um andar, depois casarões de dois andares, divididos entre si por muros de pedra. Os muros ainda podem ser vistos em vários pontos. Dos casarões, infelizmente, restaram poucos.
Desde o começo, o nome daquele povoado, que já se fazia próspero, esteve ligado à  existência de uma cascata de águas límpidas que por ali se precipitava. O historiador Diogo de Vasconcelos sugere que as cascatas que deram origem à  denominação œCachoeira  são as formadas abaixo da Ponte do Palácio, mais próximas ao centro do arraial e de certa forma bem visíveis a quem chegasse pelo norte, da Comarca do Rio das Velhas. Outros, porém, sugerem que estas famosas cascatas seriam as que desaguam ruidosamente à  margem do antigo caminho do Morro da Mata, cuja beleza natural havia chamado a atenção dos primeiros exploradores que assim denominaram o lugar da œCachoeira . Estas por sua vez chamavam a atenção de quem vinha do sul, da Comarca do Rio das Mortes. Por se localizar o povoado ainda na região dos campos e em homenagem à  padroeira trazida pelos bandeirantes, passou a ser o Arraial de Nossa Senhora de Nazaré dos Campos da Cachoeira ou Nossa Senhora de Nazaré da Cachoeira do Campo ou simplesmente Cachoeira do Campo.

FONTES PESQUISADAS:
# LEMOS, Pe. Affonso Henriques de Figueiredo. Monografia Histórica da Freguesia de Cachoeira do Campo, escrita em 1907.
# RAMOS, Lúcio Fernandes. Cachoeira do Campo – A Filha Pobre do Ouro Preto.
# BOHRER, Alex Fernandes e GOMES, Rodrigo da Conceição. Apostila: Cachoeira do Campo “ Pequeno Subsidio para sua História. Escrita em 2000.
Pesquisa Histórica: Rodrigo da Conceição Gomes